domingo, 15 de dezembro de 2013

Paraíba a beira de um caos de Insegurança.









Por Fabiana Agra*
A Insegurança nossa de cada dia.

Os paraibanos assistem, estarrecidos, a violência tomar de assalto o Estado: da capital aos mais recônditos interiores, nenhum lugar parece escapar à sanha da bandidagem que promove arrastões, comanda toque de recolher, assassina policiais, explode caixas de bancos, enquanto à população cabe apenas se encastelar no medo de ter que sair de casa. Por óbvio que o problema não é exclusivo da Paraíba e nem foi a atual gestão quem o inventou; embora ainda não sejam claras as causas da quebra de paz especialmente nos meios urbanos, temos o tráfico e o consumo de drogas como principais fatores a alavancar esse fenômeno.

E como quase sempre acontece, o Poder Público, quando não se omite, tende a agir tardiamente para a resolução do problema; em se tratando de políticas públicas para o combate à violência, ainda são muito tímidas as campanhas e intervenções e quase nada ainda se viu de positivo – para obtenção de resultados a curto prazo – realizado pelo Governo Federal neste sentido, até porque os investimentos terão que acontecer em várias linhas de frente, dentre elas a educação sendo o portal maior de combate à violência.

Porém, no quesito SEGURANÇA, o descaso governamental na Paraíba é tamanho que a proposta de orçamento para 2014 saída do Palácio da Redenção, prevê um inchaço nos gastos do governo com comunicação de mais de 58% e, em contrapartida, a redução dos investimentos em segurança em mais de 18,5%. Independente do resultado das alterações através de emendas para a LOA 2014, já se percebe o que o Governo da Paraíba realmente prioriza: em ano eleitoral, diminui-se a segurança e aumentam-se as propagandas. A proposta de orçamento para 2014, da forma que está posta, traduz um enorme retrocesso na vida dos paraibanos: enquanto outros estados da Federação investem pesado em diversos setores vitais para a população, na Paraíba, as pastas responsáveis pela habitação, saneamento, cultura e meio ambiente, também tiveram reduzidos os seus investimentos.

Cabe aos Estados da Federação, através das Polícias Militar e Civil, a manutenção da ordem e à aplicação da lei, atuando tanto preventiva como ostensivamente para tais misteres. Mas na Paraíba, parece ser mais importante a manutenção do status quo de alguns poucos privilegiados, que vivem às custas do Erário Público, ao atendimento eficaz das necessidades básicas da população; parece ser preferível manter uma elite decadente, que se alimenta do Estado há mais de 500 anos, do que atender as reais necessidades dos cidadãos paraibanos. Somente tal pensamento justifica o fechamento de mais de 33 delegacias, a falta de investimentos no aparato policial e a falta de uma remuneração digna para os policiais do Estado.

Vê-se, pois, que a Paraíba pouco mudou em toda sua existência e continua a ser comandada através da Casa-grande, que perpetua entre nós um coronelismo autoritário, enquanto o seu povo é tratado com desprezo e observado de perto por alguns poucos capitães-do-mato. Assim, os dias de senzala do povo paraibano parecem se arrastar num sem-fim de desesperança e desespero, enquanto os salteadores de lá e de cá dividem os despojos dessa guerra vil. Até quando o banquete dos incautos vai durar eu não sei; só depende do povo saber a força que tem.

* Fabiana Agra é advogada e jornalista.

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