domingo, 20 de setembro de 2015

Donos da Empresa "Pank" vendas online aplicaram golpes em mais de 100 mil internautas com produtos falsificados.

Donos de empresas aplicaram golpes em centenas de pessoas, desviaram dinheiro para igrejas e deputados.
Suspeitos de aplicar golpes pela internet de no mínimo R$ 200 milhões, a empresária Viviane Boffi Emílio e o marido Michel Pierri de Souza Cintra mantinham uma vida de luxo com restaurantes caros, compra de veículos importados a cada três meses e doações para igreja no total de R$ 700 mil, segundo uma testemunha entrevistada pela EPTV.
A rotina do casal, que mora em Ribeirão Preto (SP), foi revelada por um ex-funcionário do site Pank, uma das empresas com sistema de compras online que, segundo o Ministério Público, fizeram mais de 100 mil vítimas em todo o país.
Os suspeitos eram investigados há dez anos. Viviane foi detida na terça-feira (1º) em Ribeirão Preto e foi levada para a Cadeia de Cajuru (SP), após ter prisão temporária decretada. Cintra também teve prisão ordenada, mas está foragido. A advogada do casal, Cláudia Seixas, afirmou que não comentará as acusações porque o processo ainda está em andamento.
A dupla e mais duas pessoas apontadas como "laranjas" podem responder por associação criminosa, estelionato, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular.
Sem qualidade
Segundo as investigações do MP, os sites administrados pelo casal comercializavam diversos produtos, principalmente eletroeletrônicos, que, após serem adquiridos pelos clientes, não eram entregues ou não apresentavam a qualidade anunciada, sendo, muitas vezes, artigos piratas.

“Ele [Cintra] sabia da qualidade dos produtos, porque era um canal de intermediação de oferta. Qualidade bem inferior. Sabia que ia ter problemas com esses produtos e mesmo assim ele colocava para vender”, afirmou o ex-funcionário, que preferiu não ser identificado.
A empresa em questão era registrada no nome de Viviane, funcionava no Jardim Irajá, zona sul de Ribeirão, e contava com 60 funcionários. Já Cintra respondia pelo site Stop Play, que também vendia produtos pela internet e foi fechado há oito anos pela mesma prática de golpes em clientes, segundo o MP.
De acordo com a testemunha, o site Pank vendia de 10 mil a 20 mil peças de um único produto, mesmo quando não havia estoque suficiente. “Poderia entregar um terço [do que era vendido]. Mas desse um terço mais de 50% ia dar problema. Com certeza."
Vida de luxo
Pelo menos 100 mil pessoas foram lesadas em golpes que somam, no mínimo, R$ 200 milhões, segundo a Promotoria. O valor adquirido com o esquema possibilitou que o casal levasse uma vida de luxo, que envolvia um apartamento em uma área nobre de Ribeirão Preto, a troca de carros importados a cada três meses, restaurantes caros e frequente ajuda em dinheiro à igreja - ele não revelou quantas nem quais eram.

“Funcionários sabiam que eles doavam não só dinheiro, mas ofertas também. Ele já deu muita grana na igreja. Inclusive doou carros. Três carros que eu sei. Isso dá mais ou menos R$ 700 mil, mas deve ter muita coisa que a gente nem sabe ainda”, disse o ex-funcionário.
Reclamações
O ex-funcionário contou também que a empresa em que trabalhou contava com um setor de atendimento, que estava ciente das constantes reclamações sobre a qualidade dos produtos, mas não tinham como agir.

“Vários e-mails de pessoas prejudicadas, de todas as classes sociais, todos foram prejudicados. E o atendimento sabia. Se você pegar um funcionário do atendimento ele vai falar que tinha receio, tinha dó, ficava superchateado com a situação, mas não podia fazer nada. Era só um funcionário”, ressaltou.
De acordo com o promotor Aroldo Costa Filho, o MP identificou milhares de queixas contra empresas do casal nos últimos dez anos. “Um site de reclamações bem conhecido registrou mais de 42 mil reclamações só da empresa Pank. Mais três mil reclamações contra a Stop Play, que também era do grupo, e mais três mil de outras empresas. Nós estimamos que seja um dos maiores fraudadores na internet do Brasil”, afirmou.
Os golpes também foram praticados contra empresas de publicidade, que eram contratadas para divulgar os sites dos suspeitos. Em uma das principais ocorrências, o casal divulgou o site Pank durante um jogo da seleção brasileira de futebol em Londres e deixou de pagar US$ 360 mil.
Apreensões
Durante os anos de investigação, Viviane e Cintra foram intimados a depor e tentaram explicar os problemas apontados pelos clientes. Em gravações dos depoimentos adquiridas pela equipe da EPTV, o casal alega que apreensões feitas pela Polícia Federal desencadearam um “descontrole financeiro muito grande”.

A Polícia Federal fez uma busca no depósito da empresa. Eu tinha um volume de produto muito grande, que ultrapassava R$ 1 milhão, era o meu primeiro Natal, inclusive, e ali foram apreendidos R$ 257 mil em produtos, preço de compra”, explicou Cintra em um trecho do depoimento.
Neste, ele ainda disse que houve uma segunda apreensão, em 2009, e dois furtos em 2008. Na ocasião, o empresário prestava contas de uma empresa associada à Stop Play.
Por sua vez, Viviane prestou esclarecimentos sobre a empresa Yes, da qual era dona. Segundo ela, as denúncias contra sua loja, tanto física quanto online, apareceram devido aos problemas das empresas de Cintra, de forma que ela também teve produtos apreendidos.
Essa apreensão aconteceu tanto da parte do Fisco quanto da Polícia Civil. Por conta disso a gente não conseguiu continuar. Depois o site também acabou saindo do ar. Inviabilizou 100% do negócio”.
Ela também negou que não fossem feitas as entregas do produto. “Essa empresa foi uma loja física, ela tinha endereço, estoque de produtos, inclusive lá tinha uma assistência técnica”, destacou.
Todas as empresas online relatadas no curso do processo foram retiradas do ar pela Justiça.

Veículo de suspeito foi encontrado pela polícia em Guararema, região metropolitana de São Paulo (Foto: TV Diário)A Polícia Rodoviária apreendeu na noite de quarta-feira (2), em Guararema (SP) um dos veículos do empresário de Ribeirão Preto (SP) Michel Pierre de Souza Cintra, suspeito de aplicar R$ 100 milhões em golpes pela web através do site de compras Pank.
O carro, avaliado em mais de R$ 100 mil, era conduzido por um agente de segurança da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Em depoimento à polícia, o funcionário da Alesp informou que conduzia o veículo em direção a um sítio em Igaratá (SP), a pedido de um deputado estadual.
O Ministério Público não divulgou o nome do parlamentar para não atrapalhar as investigações do caso. Cintra teve a prisão temporária decretada na terça-feira (1º) e está foragido.
O promotor Aroldo Costa Filho, que pediu a apreensão do veículo e de outros bens de Cintra, afirma que o deputado já recebeu dinheiro do suspeito em outras ocasiões. "Temos informações do inquérito policial de que o Michel Pierre é conhecido do deputado e fez doações, inclusive de campanha, para ele", afirma.
Segundo o depoimento do agente de segurança da Alesp, o veículo seria levado para um sítio em Igaratá. A propriedade rural, de acordo com o funcionário, é do deputado estadual. O parlamentar teria conhecimento de que Cintra estava envolvido em um esquema de estelionato.
O funcionário prestou depoimento e foi liberado.

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