quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Quadrilha falsificava documentos de mortos para transferir veículos na Paraíba. Funcionários do Detran tinham participação.

Um homem que tinha morrido em 2012 teria dado entrada em um processo de transferência de seu veículo em favor de outra pessoa no ano de 2013, um ano depois do seu falecimento. O caso, na verdade, é um dos registros de fraude identificados por uma investigação que culminou na prisão de seis pessoas na manhã desta quinta-feira (7) pela Polícia Civil em parceria com o Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB).
Segundo o delegado de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas, Luiz Eduardo Montenego, um dos suspeitos presos nesta quinta-feira teria fraudado o processo relacionado ao veículo depois de ter iniciado uma negociação de compra, mas não ter efetuado o pagamento. “Ele transferiu [o carro] para seu nome, lesando a viúva, que tinha a posse do veículo, e em seguida vendeu para um terceiro”, conta.
Outros casos chamaram atenção porque os processos foram concluídos de forma muito rápida. O delegado citou dois deles, sendo que em um deles, o veículo teve um documento emitido em um dia e no outro já tinha sido transferido. Em outro, ainda mais rápido, o processo irregular começou de manhã e à tarde já tinha passado por todas as fases, com a emissão do documento de transferência. O tempo mínimo de emissão de uma transferência, segundo o Detran, é de de 24 a 48 horas.
Ainda segundo o delegado, um dos presos nesta quinta já tinha sido detido anteriormente com um veículo furtado e que estava sendo vendido para um comprador de Natal, no Rio Grande do Norte. Ele foi liberado em seguidas, mas as investigações descobriram que ele contou com a ajuda da esposa, que era funcionária do Detran na época, cedida pela Companhia de Processamento de Dados da Paraíba (Codata). Ela teria facilitado a falsificação do documento do veículo furtado e, junto com o marido, também foi presa na operação desta quinta.
O esquema ainda contava com o apoio de outros três funcionários do Detran: dois deles trabalhavam nos postos do órgão em uma Casa da Cidadania e uma loja de veículos da capital; a outra pessoa atuava como auditora, fazendo a conferência dos processos para garantir que esteja tudo correto. “Dados técnicos do sistema de consulta do Detran demonstram a participação de cada um”, diz o delegado.
Completando as operações, entrava o funcionário de um cartório de Santa Rita, que também foi preso. Ele fornecia selos e carimbos para autenticar de forma falsa os documentos.
Para o delegado Nélio Carneiro, que também participa das investigações, é possível que com os depoimentos dos presos desta quinta-feira, eles forneçam outras informações sobre o esquema. “Inclusive com outros nomes, é possível que não esteja apenas no âmbito destes que foram detidos”, prevê.

fonte: G1PB

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